Dia 5 | Domingo

Meditação diária

Domingo XIV do Tempo Comum – Ano A

Dois aspetos saltam à vista no texto de São Mateus. O primeiro é a intimidade: Deus revela-se com facilidade aos que são humildes e, a partir dessa humildade, vivem a relação filial com Ele (vv. 25-27). O segundo é a tranquilização: Jesus é nosso mestre e faz-nos uma proposta que não é pesada mas leve (vv. 28-30).

Em primeiro lugar, Jesus alude à vida íntima de Deus: à relação que o une ao Pai. É uma vida que nem todos conhecem. Conhece-a o Filho e, por isso, aqueles a quem o Filho a revelar. Conhecem-na os «pequeninos», os discípulos de Jesus, aqueles que têm espaço dentro de si para acolher o que o Senhor lhes apresenta. Todo o coração quererá ser saciado. Todo o ser humano gostará de ser grande. Jesus aponta o caminho para isso: «Eu te bendigo, ó Pai, …porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos». «Eu te bendigo, ó Pai»: eis a intimidade com Deus. «Estas verdades»: refere- -se aos mistérios do Reino. «Sábios e inteligentes»: refere-se aos fariseus e doutores da Lei, aos que julgam não ter mais nada a aprender porque já sabem tudo. «Porque… as revelaste aos pequeninos»: vê-se que é bom assumir a própria pequenez, reconhecendo o nosso não-saber que só a partir de Deus conseguirá resposta.

Em segundo lugar, Jesus compara o seu jugo ao jugo da Lei. Contrapõe o jugo do Senhor ao jugo duma Lei que foi encarada de forma rígida e viu ainda novos aspetos serem-lhe acrescentados. Contrapõe, assim, o peso do que Ele próprio nos pede ao peso daquilo que, à margem d’Ele, tantas vezes nos é proposto. Daí que use uma série de vocabulário sugestivo do que poderá ser a nossa relação com ele. «Vinde a mim», «Eu vos aliviarei». «Aprendei de mim», «encontrareis descanso». «O meu jugo é suave», «a minha carga é leve».

É este contraponto que se vê também na Profecia de Zacarias. Virá o «justo e salvador», «humildemente montado num jumentinho». A partir desta posição simples, «destruirá» os meios da guerra e «anunciará a paz às nações». Ver-se-á a extensão do «seu domínio». Haja, pois, «alegria» e «júbilo». O mesmo contraponto se vê em São Paulo aos Romanos: «vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito»; pressupondo «que o Espírito de Deus habita em vós». Viver segundo a carne provoca danos na vida: «morrereis». Viver pelo Espírito (pelo Espírito de Cristo) proporciona uma vida melhor: «vivereis».

Zac 9, 9-10 / Slm 144 (145), 1-2.8-9. 10-11.13cd-14 / Rom 8, 9.11-13 / Mt 11, 25-30

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