Meditação diária
Dia 28 | Domingo
Domingo XIII do Tempo Comum – Ano A
Deus concebeu para nós uma vida maior do que aquela que conseguiríamos seguindo o nosso próprio querer. Com Deus, vivemos mais. Mas é um viver que implica um morrer: «morremos com Cristo», acreditando que «também com Ele viveremos». Tem de haver uma morte: consideramo-nos «mortos para o pecado», com Cristo que «morreu para o pecado». Acedemos à vida nova: consideramo-nos «vivos para Deus, em Cristo Jesus», já que «a sua vida é uma vida para Deus». Trata-se dum dinamismo que – diga-se – é componente normal da vida cristã. Tem que ver com o batismo que inaugura a vida cristã. Efetivamente, no batismo há um morrer e um renascer: somos sepultados com Cristo, «para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos… também nós vivamos uma vida nova» (Carta aos Romanos).
Na vida cristã é precisamente da vida que se trata. É que viver tem de ser mais do que existir. Tem de ser um viver que valha a pena. A vida ou se a aproveita ou se a desperdiça; ou tem norte ou anda desfocada; ou tem horizonte ou fica encolhida; ou é de coração cheio ou tem sabor medíocre. Disto trata o nosso relacionamento com Jesus. É com isto que tem que ver o ser discípulo de Jesus Cristo. Daí que Ele nos fale de perder a vida ou ganhá-la; e nos fale, consequentemente, daquilo que é preciso para a ganhar.
Antes de mais, temos de nos desprender de nós mesmos. Guardar-se para si próprio leva a viver menos: «quem encontrar a sua vida há de perdê-la». Em contrapartida, largar-se para Deus leva a viver mais: «quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la». Depois, o amor a Deus tem de ser mais forte do que os outros amores: «quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim». Por fim, deve-se estar disposto a suportar o que o amor a Deus venha a implicar: «quem não toma a sua cruz para me seguir, não é digno de mim». É uma entrega que resulta em ganho vindo de Deus. O amor que se centra em Deus e que em nome d’Ele se difunde «não perderá a sua recompensa» (São Mateus). O profeta Eliseu ficou a pensar da senhora que o acolheu: «que podemos fazer por esta senhora?» (2.º Livro dos Reis).
2 Rs 4, 8-11.14-16a / Slm 88 (89), 2-3.16-17.18-19 / Rom 6, 3-4.8-11 / Mt 10, 37-42





