Dia 14 | Domingo

Meditação diária

Domingo XI do Tempo Comum – Ano A

«Recebestes de graça, dai de graça»: lê-se no Evangelho de São Mateus. É-nos feito um pedido no presente (dar de graça), com base em algo que aconteceu no passado (recebemos de graça). O sentido da pertinência do pedido requer, então, viva consciência do benefício recebido no passado. Deus diz: «Vistes o que Eu fiz ao Egito, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até mim» (Êxodo). É um benefício que legitima a expectativa que Deus tem a respeito daqueles a quem ele foi concedido. Por isso, Deus exprime-a: «Se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança…». Deus espera que o povo, que foi libertado, o escute e lhe seja fiel. Atribui ao povo um estatuto diferenciador: «sereis minha propriedade especial entre todos os povos». Mas é um estatuto que comporta uma responsabilidade: ser perante os outros aquilo que Deus quer que se seja.

Na verdade, Deus espera poder contar connosco na sequência do que já investiu em nós: «Cristo morreu por nós»; «fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho» (Carta aos Romanos). E conta connosco em virtude do que sente pelas pessoas que tem à sua frente. «Jesus, ao ver as multidões, encheu- -se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas» (São Mateus).

São precisos trabalhadores para a seara que é grande. São precisos mãos e pés, inteligência e coração, ganas e músculos, para o muito que há para fazer. Tem de se enfrentar o que apoquenta e desgasta as pessoas: «proclamai que está perto o reino dos Céus». Tem de se acompanhá-las oferecendo cuidado e orientação: ser «pastor». É uma palavra que adquire especial significado no contexto atual de confusão de valores e escassez de razões de viver. Ser pastor implica abrir perspetivas, apontar caminhos, dar alento. Jesus iniciou isso. Depois, vieram os doze apóstolos. Agora, é a nossa vez.

Ex 19, 2-6a / Slm 99 (100), 2.3.5 / Rom 5, 6-11 / Mt 9, 36 – 10, 8

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