Dia 4 | Quinta-Feira

Meditação diária

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Solenidade)

Ele salvou-nos e chamou-nos à santidade. (1.ª Leitura)

A palavra “pão” aparece nove vezes nas leituras de hoje. O verbo “comer”, dez vezes. O verbo “viver”, seis. O substantivo “vida”, três. Portanto, fala-se de alimentar, comunicar vida, fazer viver. Fala-se da origem dessa vida e também do seu destino. Fala-se de quem faculta essa vida, assim como se refere quem tem a ocasião de a receber. É todo o tom eucarístico das leituras que salta à vista.

Jesus apresenta-se como «o pão vivo descido do Céu» (São João). Aplica a si uma designação forte: a palavra “vivo” vem reforçar a ideia de “pão”. Mais adiante explica: Ele é o pão descido do Céu, diferente daquele que no Antigo Testamento também tinha descido do céu: o maná dado a comer na travessia do deserto. É que Jesus é o pão que faz viver eternamente. Alimentando-nos do pão que é Jesus, permanecemos n’Ele e Ele permanece em nós. Passamos a “viver por” Jesus (São João): isto é, por meio de Jesus ou em virtude de Jesus. Passamos a ter a vida em nós. Não uma vida qualquer. Mas uma vida que enche e dura. Uma vida que, vindo para dentro de nós, se revela grande em horizonte e extensa no tempo.

Esta oferta eucarística de Deus, na pessoa de Jesus, responsabiliza- -nos duplamente. Primeiro, temos de guardar memória de quanto o Senhor nos tem alimentado. «Não te esqueças do Senhor teu Deus, que te fez sair da terra do Egito». «Foi Ele quem, da rocha dura, fez nascer água para ti e, no deserto, te deu a comer o maná» (Deuteronómio). Depois, temos de associar-nos a Jesus como alimento para os outros. «Não é o pão que partimos a comunhão com o Corpo de Cristo?… formamos um só corpo» (1.ª Carta aos Coríntios). Mas trata-se dum corpo que, ao alimentar-se do pão que é Cristo, fica associado a Cristo como pão que se dá a comer ao mundo.

Deut 8, 2-3.14b-16a / Slm 147, 12-13. 14-15.19-20 / 1 Cor 10, 16-17 / Jo 6, 51-58

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