Meditação diária
Dia 9 | Domingo
Domingo XIX do Tempo Comum – Ano A / 1.º Dia da Semana Nacional da Mobilidade Humana
Saciada a multidão com a multiplicação dos pães, Jesus obriga os discípulos a irem logo para a outra margem. Terá intuído que poderiam “perder a cabeça”. É que a vida tem sucessos, mas também provações. E o êxtase dos sucessos pode debilitar-nos para enfrentar as provações. Efetivamente, vem o escuro da noite e a tormenta. O barco em que vão os discípulos está «no meio do mar», «açoitado pelas ondas». Ainda por cima, Jesus caminhando sobre a água é visto como um fantasma. Ou seja: ao sentir das circunstâncias desfavoráveis ao bem-estar do barco, soma-se a dificuldade de perceber que Deus está ali presente. Experimenta-se o medo. Precisamos da voz que diz: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
O barco em que vão os discípulos representa aquilo que é a nossa existência crente. Há o que pode rodear o barco: o escuro e a intempérie. Coisas pelas quais a nossa existência pode passar. Mas há sobretudo o que forçosamente está debaixo do barco: a água. A nossa existência nunca deixa de ser um andar sobre a água. Podemos esquecer-nos disso, porque habitualmente andamos no barco. Mas, de vez em quando, a vida é de tal ordem que nos faz sentir que temos a água por baixo. Aí, estamos mesmo nas mãos de Deus: «Salva-me, Senhor!», grita Pedro. Importa perceber como Deus está ao pé de nós, tantas vezes de forma discreta. Poderá não estar no «vento», no «terramoto», no «fogo», mas na «ligeira brisa» que é mais difícil de topar (1.º Livro dos Reis). É bom não esquecer o que Deus nos oferece e tantas vezes maltratamos; a começar pela «adoção filial» (Carta aos Romanos).
1 Rs 19, 9a.11-13a / Slm 84 (85), 9ab-10. 11-12.13-14 / Rom 9, 1-5 / Mt 14, 22-33





