Dia 15 | Domingo

Meditação diária

Domingo IV da Quaresma – Ano A

A palavra central das leituras de hoje é “ver”. Trata-se de um “ver” autêntico, profundo, exigente. Trata-se de ver como Deus vê. Foi a recomendação que Deus fez a Samuel no momento de ungir um dos filhos de Jessé: «Não te impressiones… Deus não vê como o homem» (1.º Livro de Samuel). É também a preocupação que São Paulo tem a respeito dos que se dizem cristãos: «Agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade» (Carta aos Efésios).

O Evangelho de São João desenvolve, de modo particular, a problemática que rodeia o ato de ver. Primeira pergunta: estamos com os olhos abertos? É que isto, por si só, não chega para ver. Diz Jesus: «os que veem ficarão cegos». Ou seja: estar demasiado convencido de que se vê (percebe, sabe) pode impedir de ver (perceber, saber). Segunda pergunta: As coisas estão evidentes à nossa frente? É que isto, por si só, também não chega para as vermos. Note-se que o cego de nascença, que Jesus curou, está fisicamente presente no meio das pessoas. Mas, para algumas destas, não adianta. Não acreditam.

Efetivamente, os nossos olhos podem estar abertos e também a evidência das coisas estar à nossa frente. Mas é preciso que o espaço entre esses olhos e esta evidência esteja limpo. Pode estar cheio de entulho (ideias feitas) que não deixa ver: «Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado»; «Nós sabemos que esse homem é pecador»; «Como pode um pecador fazer tais milagres?». É o entulho que não deixa reconhecer quem Jesus é. Não deixa reconhecer a marca do Pai naquilo que Ele diz e faz. Na verdade, crer em Jesus é apoiar-se na sua palavra e nas suas obras enquanto revestidas da autoridade do Pai.

1 Sam 16, 1b.6-7.10-13a / Slm 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 / Ef 5, 8-14 / Jo 9, 1-41
ou Jo 9, 1.6-9.13-17.34-38

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