Nem tão forte, nem tão independente! Preciso de ti!

«Não se preocupem, eu vou lá» – afirmo, cheia de confiança, sem saber bem o caminho e o que é para fazer, mas alguém tem de fazer e ninguém se está a mexer.

«Deixa estar, eu consigo fazer sozinha» – tranquilizo o meu chefe, sem ter muita certeza de que consigo fazer.

«Eu preparo» – ofereço-me para organizar um jantar, não vou ter tempo, mas os outros também não… PRECISO DE TI!

«Não me importo de ficar aqui à espera» – é noite e está escuro, tenho medo, odeio o escuro, mas não o digo.

Estas são algumas das afirmações que tenho reparado que me vão acompanhando no dia a dia. Constantemente, e sem me aperceber, vou marcando uma posição de que, forte e independente, vou fazendo caminho. Uma posição que, para além de me fazer sentir forte e independente, julgo passar a quem me rodeia. Mas isso é o que eu julgo, não necessariamente o que depois é verdade.

A verdade é que quando começo a perceber que este padrão existe, que esta posição é constante, o cenário muda. Como pessoa que gosta de estar em movimento, o facto de estar sempre na mesma posição começa a ser desconfortável e exige movimento. Mas, como forte e independente, o movimento não pode ser para qualquer lado, convém saber para onde ir e porquê. No momento de perceber a direção, vem a dúvida – mas, então, não é forte e independente a tua posição? E aí sou, sem me aperceber, obrigada a perceber onde é que realmente sou forte e independente, onde coloco as minhas forças.

Nos últimos tempos, tenho percebido que muito disto se trata de coração. E percebo isto através da oração, com a ajuda da encíclica Amou-nos, e especialmente no exame diário – quando me confronto com o meu dia a dia e vou analisando um padrão (que, ao mesmo tempo, me faz sentir consistente) e percebo onde esteve e não esteve presente Jesus, onde estive e não estive de coração.

Não se trata de saber se é forte ou independente a minha posição, mas sim onde são postas essas forças e a minha confiança para a independência. Trata-se, acima de tudo, de perceber a que distância fica o meu coração do Coração de Jesus, em cada um desses momentos. Trata-se de saber se estou inteira, se o meu sim é verdadeiro e se o meu coração está, de facto, onde estou. Quando foco tudo em mim, cedo ou tarde, esgoto-me. Mas quando coloco no Coração daquele que me conhece e ama, há espaço para recomeçar.

E quando estou mais de coração, a minha posição começa gradualmente a mudar: «Não se preocupem, vamos lá» – afirmo, cheia de confiança alegre, que é uma confiança diferente, que vamos perceber o caminho e o que é para fazer em conjunto e não julgo interiormente o facto de ninguém se estar a mexer.

«Deixa estar, eu faço sozinha e depois vemos o que achas» – percebo e não perco o medo de dizer que preciso de validação, pois não tenho a certeza de como fazer.

«Preparas isso comigo?» – entendo que ser realmente prática é perceber que ninguém tem muito tempo, se dividirmos vai ser mais fácil, e no final até é um jantar melhor.

«Tenho medo de ficar aqui à espera sozinha» – partilho que tenho medo, respondem-me «nunca estás sozinha, nunca te esqueças disso, mas eu fico aí contigo à espera».

E vou assim, devagarinho, aproximando mais o meu coração do Coração de Jesus – não preciso de ser sempre forte e independente nem sempre frágil, só (que é um só mais leve do que imaginamos, quando o começamos a praticar com Jesus) preciso de, com Ele, ser verdadeira e apresentar-me tal como Ele me criou.

E vou assim descobrindo que a experiência cristã não é a de quem se apresenta perfeito, mas a de quem, no Coração de Jesus, descobre que pode ser acolhido como é: nem tão forte, nem tão independente.

Madalena Perloiro

In Mensageiro do Coração de Jesus, junho de 2025

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