Meditação diária
Dia 20 | Domingo
Domingo XXV do Tempo Comum – Ano A
As leituras de São Mateus, hoje e nos dois Domingos seguintes, são parábolas a respeito da vinha e do seu dono. A vinha significa o reino de Deus, no qual devemos tomar parte. Então, hoje temos a parábola sobre os trabalhadores contratados para a vinha (Mt 20, 1-16a). No próximo Domingo, temos a parábola dos dois filhos convocados para trabalhar na vinha (Mt 21, 28-32). No Domingo a seguir, já em outubro, temos a parábola dos vinhateiros homicidas, com a referência à «pedra que os construtores rejeitaram» (Mt 21, 33-43).
A parábola sobre os trabalhadores da vinha, que temos hoje, é uma reprimenda aos fariseus. Mostra que a bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos. Ensina que o modo como Deus nos paga pelo que fazemos não cabe no conceito humano de justiça. Confirma o que já vem no Livro de Isaías: «os meus pensamentos não são os vossos, nem os vossos caminhos são os meus»; «os meus… estão acima dos vossos».
Efetivamente, o proprietário da vinha contratou trabalhadores em diferentes momentos do dia: «muito cedo», «a meia-manhã», «por volta do meio-dia», «pelas três horas da tarde» e ainda «ao cair da tarde». No fim, pagou a todos o mesmo: um denário, como tinha ajustado com os que começaram a trabalhar muito cedo. Que poderá significar isto? Nós temos histórias diferentes de descoberta de Jesus Cristo. Uns descobrem-no cedo nas suas vidas. Outros descobrem-no mais tarde, com mais ou menos idade. Outros talvez só o descubram numa fase muito avançada da vida. Podemos perguntar: descobrir Jesus Cristo mais cedo do que outra pessoa é razão para ter maior dignidade perante Ele do que essa pessoa? Não parece que seja. Não há entradas na fé mais valiosas que outras. Cada entrada na fé vale precisamente por ser entrada. É fruto do encontro entre Deus que se revela e o ser humano que acolhe tal revelação. É começo de uma história de relacionamento com Deus.
Trata-se duma história ímpar, duma história que vale pelo que é aos olhos de Deus, duma história que não tem de ser comparada com as outras. «Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho» (São Mateus). São Paulo, na mesma linha, afirma que cada um dos que acede à fé tem apenas que «viver de maneira digna do Evangelho de Cristo» (Carta aos Filipenses).
Is 55, 6-9 / Slm 144 (145), 2-3.8-9. 17-18 / Filip 1, 20c-24.27a / Mt 20, 1-16a





