Meditação diária
Dia 13 | Domingo
Domingo XXIV do Tempo Comum – Ano A
Importante para a comunidade eclesial é o exercício do perdão no seu seio. Não parece matéria fácil. Tem de se olhar para o modo de ser do próprio Deus. Diz o refrão do Salmo: «O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade». E diz também o refrão do Aleluia: «Dou-vos um mandamento novo…: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei». Quer dizer que este amar tem em Deus o seu “porquê” e o seu “como”.
Na verdade, o Senhor faz-nos saber quanto o entristece a recusa obstinada do perdão. É que ela parece esquecer quanto se está em dívida para com Deus. «Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?». O Senhor pede que se perdoe não «até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (São Mateus). É que o Senhor é “largo” no perdão que nos concede. Perdoa-nos vezes sem conta. Desde logo, porque necessitamos do seu perdão mais do que o que pensamos. Mas também porque é próprio de Deus não acabar connosco, mas dar-nos uma nova oportunidade.
Efetivamente, precisamos de maior capacidade de perdão. Não que, alguma vez, igualemos aquela que Deus tem. Mas devemos esforçar-nos por nos aproximar da largura de perdão que Deus mostra. Ele é o nosso modelo; inatingível, mas desafiador. Façamos o que Deus nos pede: «recorda os mandamentos e não tenhas rancor ao próximo». Correspondamos à expectativa que Deus tem a nosso respeito: «pensa na aliança do Altíssimo e não repares nas ofensas que te fazem». Mereçamos a benevolência de Deus: «perdoa a ofensa do teu próximo e, quando o pedires, as tuas ofensas serão perdoadas». Ou vendo ao contrário: «não tem compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados?» (Ben-Sirá).
Mas é possível que estas chamadas de atenção possam ainda não chegar. Aí Deus lança-nos um desafio derradeiro. Põe diante de nós a nossa própria pequenez. Confronta-nos com a real dimensão daquilo que somos. «Lembra-te do teu fim e deixa de ter ódio». «Pensa na corrupção [na decomposição do corpo] e na morte, e guarda os mandamentos» (Ben-Sirá). São Paulo afirma como nota final: «Nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo»; «quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor» (Carta aos Romanos).
Sir 27, 33 – 28, 9 / Slm 102 (103), 1-2. 3-4.9-10.11-12 / Rom 14, 7-9 / Mt 18, 21-35





