O que é que uma devoção com 350 anos tem a ver com uma pessoa de 30?!
#SAGRADOCORAÇÃODEJESUS
A primeira vez que ouvi falar, foi de uma medalha. Uma medalha de um bisavô com uma grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Isso e uma imagem que há lá em casa, sempre na cómoda dos meus pais. Por isso, apesar da familiaridade, sempre fiquei intrigada e não me fascinavam particularmente as imagens do Sagrado Coração de Jesus com o coração fora do peito e nem percebia bem porque havia essas imagens quando já tínhamos tantas imagens de Jesus na cruz, Jesus no presépio, etc…
Lá ficaram adormecidos estes pensamentos, até que depois de um desgosto amoroso e bastante chorosa, no colo da minha mãe, esta me disse para usar a medalha do Sagrado Coração de Jesus, que ajudava a cuidar dos corações destroçados… E acho que foi aí que comecei a ficar intrigada… afinal quem é este que cura as feridas dos corações? É o mesmo Senhor naquela cruz? É o mesmo bebé do presépio?
Na Encíclica que o Papa Francisco escreveu sobre o Sagrado Coração de Jesus, logo na primeira frase diz-nos: «“Amou-nos”, diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8, 37), para nos ajudar a descobrir que nada “será capaz de separar-nos” desse amor (Rm 8, 39)».
Tenho pensado (e rezado) à séria sobre o que realmente me pode separar ou não do seu Amor… E vou intuindo, totalmente com a graça de Deus, que não há mesmo nada que me separe do Amor de Deus, porque aquela ferida está sempre aberta para me acolher, sobretudo naquilo que são os meus medos mais profundos da solidão, da fragilidade, da morte, de não ser amada. Estes medos têm uma resposta no Sagrado Coração de Jesus, numa amizade que se faz na oração de todos os dias e num desejo crescente de conhecer mais intimamente Jesus e usar os seus critérios como critérios das pequenas decisões de todos os dias.
Apesar disto, compreender este Amor tão concreto, mas ao mesmo tempo tão misterioso, tem sido um longo caminho, com muitas dores de crescimento, em que às vezes duvido que Deus me ouve, outras que me ama, outras que se esqueceu de mim… E essa luta entre os medos, as dores de crescimento e o Amor de Jesus, vivo-a diariamente, numa tensão em que luto para não procurar ter os critérios do mundo de uma casa arrumada, numa vida planeadinha, sonhada e perfeita.
Estes últimos tempos, tenho percebido que esta tensão que vivo é um bom lugar para habitar, como dizia o P. José Maria Brito, sj, e que não devo fugir dela, mas perceber que a partir dessa lente, Deus está à minha espera. Muito concretamente, quando rezo em cada dia, a imagem que me acolhe é esta mesmo do Sagrado Coração de Jesus, que se aproxima com as marcas da paixão num corpo ressuscitado.
Assim, tenho entendido que a devoção não se fica apenas pela medalha, ou uma tradição antiga do meu bisavô, ou até uma piedade popular que muitos caricaturam. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é um Amor muito real, muito concreto e revelador na minha vida e que me tem mostrado que este caminho do Coração pode ser vivido em 2025. É muito atual nas nossas vidas e, em tempos e contextos diferentes, não deixamos de poder encontrar o mesmo caminho de encontro íntimo com Jesus que foi revelado ao longo dos últimos séculos e onde cabe também a piedade, que deve ser sempre acolhida e respeitada, como nos escreve o Papa Francisco.
Termino partilhando a minha jaculatória, que vou disparando para o Céu ao longo do meu dia (seja no meio de uma reunião, de um email, no trânsito ou num momento de alegria): Sagrado Coração de Jesus, aumenta a minha fé, lembra-me que não estou esquecida, não estou sozinha e sou uma filha muito amada.
Convido o leitor a ler a Encíclica do Papa e a rezá-la. Tenho a certeza que lhe trará ânimo, esperança e consolação para este novo ano!
Maria Teresa Folhadela
(In Mensageiro do Coração de Jesus, janeiro de 2025)




