Dia 18 | Domingo

Meditação diária

Domingo XXIX do Tempo Comum – Ano A / Dia Mundial das Missões

Ciro, o Grande, foi rei da Pérsia no século VI a.C. Criou o maior império que o mundo vira até à altura. Anexou outros impérios, designadamente a Babilónia. Autorizou os judeus, que estavam aqui exilados, a regressar à Judeia. Em Isaías 45, Ciro é visto como instrumento de Deus para a libertação de Israel. É até apresentado como ungido de Deus: «assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido» (v. 1).

Está aqui a ideia de que Deus conduz a história. Deus, no seu superior saber, dirige os acontecimentos com vista a alcançar o que pretende. É uma ação providente que atravessa fronteiras políticas e religiosas: «Eu te chamei pelo teu nome… Eu te cingi, quando ainda não me conhecias». É uma realidade que mostra a projeção universal do Deus de Israel: «para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que… Eu sou o Senhor e mais ninguém» (Isaías).

Trata-se duma leitura da história com os olhos da fé, duma leitura que é feita no interior dum povo que se compreende por via dessa fé. Israel vê-se como o povo da Aliança, sendo umas vezes fiel e outras vezes infiel a ela. Interpreta o que lhe acontece como ação divina que acompanha, em grande medida, aquilo que é o seu próprio comportamento: fidelidade ou infidelidade. Vê, pois, Deus metido no mundo, sem que, com isso, perca a sua transcendência face a ele.

Acaba por ter sentido, então, que a cidadania cristã envolva obrigação perante o mundo e obrigação perante Deus. Jesus diz: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (São Mateus). Não põe é as duas obrigações ao mesmo nível. Perante a pergunta «É lícito ou não pagar tributo a César?», Jesus ensina: primeiro, que a obrigação perante Deus não anula a obrigação perante César; segundo, que a obrigação perante César não estorva a obrigação perante Deus. Na verdade, Jesus deixa claro que a obrigação perante Deus é o princípio e o fim da discussão deste assunto. Deixa claro que a referência a Deus está pressuposta e permanece. É o que parece querer dizer também São Paulo quando inicia a conversa com os Tessalonicenses, na primeira Carta que lhes dirige: «Paulo… à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo».

Is 45, 1.4-6 / Slm 95 (96), 1.3.4-5. 7-8.9-10a.c / 1 Tess 1, 1-5b / Mt 22, 15-21

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