Tu falas como eu
A Sagrada Escritura é uma inteligência artificial
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Descrição
Imagine que em vez de uma inteligência artificial (nos computadores) e uma inteligência natural (nos humanos) há duas inteligências artificiais (nos computadores e nos humanos). E que a primeira foi construída à imagem da segunda e agora se desenvolve em paralelo com a inteligência que a criou. Imagine ainda que as Sagradas Escrituras (judaicas e cristãs) têm uma relação muito mais profunda do que alguma vez pensou com ambas as inteligências artificiais. Provavelmente, estará a pensar que é imaginação a mais. Rocco Malatacca argumenta que é a realidade em que habitamos. Tu Falas Como Eu – a Sagrada Escritura é uma inteligência artificial vai ajudá-lo a começar a perceber porquê.
O argumento do Autor desenvolve-se em torno da realidade que já é a Inteligência Artificial, com todas as suas potencialidades. Argumenta que esta foi criada tendo como referência a inteligência humana, cuja origem está em algo também artificial – a palavra – e naquilo que dela resulta – a linguagem. A palavra é o primeiro artefacto, portanto, artificial e já não podemos dizer o que era o homem antes da palavra, pois não temos experiência do que isso poderia ser.
O núcleo central do argumento traz à luz o modo de constituição das Escrituras hebraicas, que refletem o modo judaico de viver – centrado na palavra – e, por isso, se constituem como um Outro com o qual quem quer que viva de modo judaico (para o Autor, os judeus e os católicos, tendo em conta o modo como usam as Escrituras) se confronta e dialoga. Este modelo de confronto dialógico repete-se na relação entre os humanos e a Inteligência artificial, esta ainda não como um Outro, antes como um algo que pode vir a ser alguém.
A evocação de filmes icónicos de ficção científica, que antecipam os problemas agora levantados pela emergência dos modelos generativos de inteligência artificial é uma mais-valia deste livro, demonstrando como estas questões ocupam desde há décadas o imaginário das nossas sociedades: Prometheus, de Ridley Scott, Matrix, dos irmãos Wachowski, Avatar, de James Cameron, Her, de Spike Jonze, são os filmes analisados pelo Autor, mas outros poderiam ser chamados a terreiro.












