E se os seus dons fossem mais visíveis do que os seus defeitos?

Estamos a breves dias de terminar o Tempo Pascal. E no cumprimento da promessa, Jesus, que levou a nossa humanidade para junto do Pai, deixa-nos o Espírito. O Pentecostes é o culminar dessa certeza que Deus não nos abandona, que nos guia através do Espírito, na diversidade de dons que cada um de nós é chamado a pôr a render. Que beleza: na diversidade de dons, podemos encontrar a unidade sabendo que a fonte é a mesma. Quanto mais reconhecermos a força do Espírito nas nossas vidas, mais brota o agradecimento de sermos comunidade, de sermos corpo em Deus. 

Quando, nas formações, pergunto a cada pessoa para dizer pelo menos um dom, há espanto, silêncio, dificuldade, onde, não poucas vezes, ouço “não tenho”. Replico: “se perguntasse os defeitos, seria mais fácil?” Concordância quase geral. Pois, somos muito marcados pela falha, pela falta, pelo ainda não. Contudo, o Espírito recorda-nos o que já nos habita de dom, de graças recebidas, de reconhecimento da beleza do imenso de Deus em nós. Quando nos permitimos viver os dons e as graças recebidas, já não necessitamos de competir para provar nada da existência. Quando os pomos a render, vivemos a beleza da colaboração sem comparação, dando espaço ao Espírito para se manifestar em sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Em ecos da homilia de Leão XIV do Pentecostes de há um ano, o Espírito rompe as fronteiras em nós mesmos, nas nossas relações e entre os povos.

Que o Espírito Santo, em vento que agita e fogo que ilumina, nos ajude a dissolver as fronteiras que nos impedem de ver e reconhecer os dons recebidos e os outros como irmãs e irmãos no mesmo Deus que não nos abandona nem se cansa de nos amar. 

Paulo Duarte, sj

© Vitaly Gariev (Unsplash.com)

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