Meditação diária
Dia 8 | Domingo
Domingo III da Quaresma – Ano A / Dia da Cáritas
No Evangelho de São João, Jesus fala de sede e de água; e também da fonte da água. Aproveita um gesto quotidiano – ir buscar água ao poço – para nos falar de “outra água”: da água que ele mesmo é. A palavra “sede” representa as nossas necessidades existenciais, os nossos grandes anseios: sede de sentido, de entendimento, de ânimo, de amor. Trata-se de um género de sede que não se resolve com uma água qualquer. Tem de ser a «água viva»; aquela água que se tornará, em quem a beber, «uma nascente que jorra para a vida eterna».
Está aqui subentendida uma fórmula que é típica do Evangelho de São João: «Eu sou». É uma fórmula que tem Jesus como sujeito. Aparece em São João expressa algumas vezes; por exemplo, «Eu sou o pão da vida» (Jo 6, 35). Efetivamente, Jesus está a dizer à samaritana: «procuras diariamente a água do poço; mas Eu sou uma outra água». Este «Eu sou» significa que o mistério da salvação se manifesta presente, em toda a sua plenitude, na pessoa de Jesus. Significa que a salvação está mesmo concentrada em Jesus Cristo. Por isso, é ao próprio “eu” de Jesus, Filho de Deus, que se deve dirigir a nossa fé.
É fundamental então conhecer, a fundo, a pessoa de Jesus. É preciso entrar dentro do mistério de Jesus. Quem entrar no mistério de Jesus, conhecê-lo-á e, por isso, poderá crer n’Ele. Quem não o fizer, não o conhecerá e não chegará a crer n’Ele. É isto que Jesus quer dizer ao dirigir-se à samaritana: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: “Dá-me de beber”, tu é que lhe pedirias e Ele te daria água viva».
É com este conhecimento do Senhor que o crente efetua o caminho da vida: caminho de libertação, mas feito no deserto, como foi o do povo de Israel (Livro do Êxodo). Nesse caminho, experimentam-se dificuldades: é-se «atormentado pela sede». Tem-se dúvidas: «O Senhor está ou não no meio de nós?». Mas o Senhor providencia para que haja sítios improváveis (“rochedos”) donde sai água para matar a sede. À medida que aprendemos isto, tornamo-nos capazes de declarar como São Paulo: «o amor de Deus foi derramado em nossos corações» (Carta aos Romanos).
Ex 17, 3-7 / Slm 94 (95), 1-2.6-7.8-9 / Rom 5, 1-2.5-8 / Jo 4, 5-42 ou Jo 4, 5-15.19b-26.39a.40-42





