Domingo XXII do Tempo Comum – Ano C
«Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29). Jesus, que «não veio para ser servido, mas para servir», exorta-nos a seguir o seu exemplo e a não procurarmos ocupar o primeiro lugar. É da humildade que trata a primeira Leitura. O Salmo fala de Deus como «Pai dos órfãos e defensor das viúvas», isto é, como amigo e servidor dos desvalidos, sós e marginalizados. No seu Magnificat, Maria, «escrava do Senhor», proclama que Deus derruba os poderosos dos seus tronos e exalta os humildes. «Para Deus sobe-se, descendo» (São Francisco Xavier).
A mensagem do Evangelho constitui uma inversão dos valores humanos/mundanos. Para Jesus, são os pequeninos que têm a primazia, não os chamados «grandes». Entra pelos olhos como, na sociedade, são respeitados e até mesmo bajulados os possuidores de fortunas avultadas, êxitos desportivos ou postos importantes de chefia e os dignitários de cargos de relevo. Pelo contrário, quem contempla os sem-abrigo, iletrados, mal pagos e desempregados?
Os santos que se dedicam a auxiliar e a dar voz aos desfavorecidos da sociedade, provocam escândalo salutar e são, tantas vezes, incompreendidos e, em muitos casos, exaltados apenas depois da morte.
Devemos cultivar o amor preferencial pelos pobres. Não nos julguemos superiores a ninguém, fujamos, como Jesus, das honrarias e homenagens, sejamos generosos com quem não nos pode retribuir. Agradeçamos ao Senhor os benefícios incontáveis que nos concede, de graça, e manifestemos-lhe gratidão, dando e repartindo, gratuitamente, com os mais necessitados, reconhecendo neles o rosto do Filho do Homem, a quem prestaremos contas no Juízo Final.
Sir 3, 19-21.30-31 / Slm 67 (68), 4-7ab. 10-11 / Hebr 12, 18-19.22-24a / Lc 14, 1.7-14