Dia 30 | Domingo

Meditação diária

Domingo I do Advento – Ano A

«Vós sabeis em que tempo estamos», diz São Paulo (Rom 13, 11). Sabemos mesmo? Desde logo, se o Advento é um tempo, terá de se respeitar a duração que lhe é própria. Não se pode encurtá-la. Também não se deve deturpá-la. O trabalho espiritual do Advento precisa de ter a extensão temporal que merece.

Vejam-se os verbos das leituras das missas do Advento. Há verbos que estão no «futuro»: chama-se a atenção para o que vai acontecer. Neste 1.º Domingo, em Isaías: «sucederá», «se há de erguer», «se elevará», «afluirão», «há de vir», «Ele nos ensinará», «nós andaremos». Também em São Mateus: «assim será». Depois há verbos que estão no «imperativo»: diz-se o que é preciso fazer. Neste 1.º Domingo, em São Mateus: «portanto, vigiai»; «por isso, estai (…) preparados». Em Isaías: «vinde, subamos», «vinde (…), caminhemos». Ainda em Romanos: «abandonemos», «andemos», «revesti-vos de».

O Advento é um tempo de preparação humana para o tempo que é de Deus. Diz São Mateus: «vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor». Também: «estai (…) preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem». Tem-se a certeza da vinda do Senhor. Mas não se sabe exatamente quando acontecerá. Daí que a nossa preparação deva começar já. Diz São Mateus: «chegou a hora de», «a salvação está (…) perto», «a noite vai adiantada e o dia está próximo».

Advento é tempo de preparação. Antecede o Natal. Mas não é já o Natal! É sabido que se fazem festas de Natal antes do dia de Natal. Existe aí a esperança que sabe esperar? Reconhece-se que Deus é que é o Senhor do tempo das coisas e do modo das coisas? Celebra-se a vinda de Deus que foi mesmo decidida por Ele? Ou anda-se a celebrar uma «hora» que foi, afinal, marcada por nós? Viva- -se no Advento o que é próprio do Advento. A seguir é que será o Natal.

Is 2, 1-5 / Slm 121 (122), 1-2.4-9 / Rom 13, 11-14 / Mt 24, 37-44

PS: Caríssimos leitores, neste mês em que o ano litúrgico acaba, despeço-me. Rumo a outros escritos. Convido-vos a continuarem a apreciar todo o bem que fazem e a transmitir Deus – o Amor – em maneiras muito, muito concretas de amar o próximo, incluindo, naturalmente, quem vos faz mal; nunca esquecendo o amor que se devem a vós mesmos. Os meus agradecimentos ao P. Dário Pedroso que, ao convidar-me para escrever esta parte da Boa Nova, me proporcionou um enorme prazer durante 18 anos; ao Elias Couto que impiedosamente mandou para trás todas as tiras que não estavam bem, assim evitando muitas vergonhas; e à Cláudia Pereira, a sua adjunta sempre sorridente.

Gonçalo Miller Guerra, sj

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