Dia 25 | Domingo

Meditação diária

Domingo XXX do Tempo Comum – Ano A

A leitura do Êxodo apresenta-nos a lei de Deus sob duas formulações. Uma é do género: «não maltratarás». Outra é do género: «se lhes fizeres algum mal… inflamar-se-á a minha indignação». Quer dizer que a lei nos ensina até onde podemos ir; estabelece um limite. Em contrapartida, a leitura de São Mateus apresenta-nos a lei de Deus resumida em duas frases afirmativas: «Amarás o Senhor teu Deus…» e «Amarás o teu próximo…». Não há aqui a palavra “não”; não se estabelecem limites. Quer dizer que a lei de Deus nos diz em que direção devemos ir, sem se vislumbrar onde está o fim. Haverá sempre um “mais” por fazer.

Percebe-se que esta segunda formulação da lei exige maior maturidade da pessoa a quem ela é apresentada. Com a primeira formulação (“não…” ou “se…, então…”), parece estar tudo balizado; procede-se conforme está estritamente determinado. Com a segunda formulação (“amarás…”), parece haver imenso por explorar; tem de se pedir luz sobre novos passos a dar. Aliás, o facto de se enunciar só os dois principais mandamentos, em vez dos mandamentos todos, sugere a grande liberdade – e, por isso, responsabilidade – que é entregue a quem deve cumpri-los.

Note-se que o cumprimento de lei de Deus não constitui um fim em si. É meio para construir relação e comunidade. Acima da lei está o amor. Este deve estar no princípio do acatamento do que Deus pede: «se alguém me ama, guardará a minha palavra». E deve estar também no fim do tal acatamento: «meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada» (refrão do Aleluia, que cita João 14, 23).

São Paulo refere os cristãos de Tessalónica (1.ª Carta) como obreiros da articulação entre a palavra que sai de Deus e o convergir humano que resulta de a escutar e acolher. Os Tessalonicenses recebem a palavra de Deus «no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo». Tornam-se um exemplo perante outras comunidades cristãs. A palavra de Deus não fica parada neles; sai deles e tem impacto noutras pessoas e noutros espaços. Essa palavra atua como cimento duma família humana alargada. Ao escutarem a palavra de Deus e fazerem-na sua, as pessoas reveem-se umas nas outras e percebem que têm a ver umas com as outras. Por conseguinte, Deus fala; o que sai d’Ele expande-se; e, dessa forma, muitos juntam-se com sentido de família.

Ex 22, 20-26 / Slm 17 (18), 2-3.7. 47.51ab / 1 Tess 1, 5c-10 / Mt 22, 34-40

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