Dia 8 | Domingo
Domingo V do Tempo Comum – Ano A
Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. (1.ª Leitura)
Em São Mateus, Jesus diz aos seus discípulos: «vós sois o sal da terra», «vós sois a luz do mundo». Temos, aqui, um presente do indicativo («sois») que, na verdade, vale como imperativo: somos sal e luz porque temos a obrigação de o ser. Vê-se também que os substantivos “sal” e “luz” estão precedidos dos artigos definidos “o” e “a”. Quer dizer que haverá sais e luzes que não importam, mas este sal e esta luz são importantes; ou então que, havendo outros sais e outras luzes que tenham interesse, este sal e esta luz devem estar em primeiro lugar.
O sal é usado no tempero da comida. “Sal”, em sentido figurado, pode significar “graça”, “espírito”. Quer dizer que, sem sal nenhum, a comida perde graça. Por sua vez, a luz tem como função iluminar. “Luz”, em sentido figurado, pode significar “verdade”, “guia”, “orientação”. Quer dizer que, se falta luz, não se percebe a realidade, não se vê o caminho. Portanto, Jesus, ao dizer que os seus discípulos têm de ser sal, está a exortar-nos a dar sabor, a comunicar encanto à vida das pessoas. E ao dizer que é preciso ser luz, está a mandar-nos contribuir para que as pessoas possam conduzir-se na vida.
Note-se que nós não seremos sal nem luz por nós mesmos. Sê-lo- -emos pela riqueza do Evangelho que trazemos connosco. Este é que é o sal e a luz que nos permite ser sal e luz. Assim, antes de salgarmos os outros, temos nós de ser salgados. Antes de iluminarmos os outros, devemos nós ser iluminados. Estaremos em condições de salgar e iluminar a vida das pessoas com o Evangelho, se primeiro tratarmos de ser nós mesmos salgados e iluminados por ele. É que há o perigo de o sal «perder força» e de a luz deixar de brilhar no «candelabro». Significa que o Evangelho, de que nos dizemos portadores, deixa de transparecer nos atos da nossa vida.
Efetivamente, lê-se em Isaías: «reparte o pão», «dá pousada», «leva roupa a», «não voltes as costas». E depois em São Mateus: «para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus». Convém notar até que o Evangelho, ao transparecer na nossa vida, não terá impacto apenas nas outras pessoas. Acabará por nos regenerar a nós mesmos: «as tuas feridas não tardarão a sarar» (Isaías).
São Paulo (1.ª Coríntios) deixa claro que o sal e a luz, que de nós passam para outros, têm a sua origem em Deus e não em nós mesmos. Diz: «apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor». Continua: «a minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo».
Is 58, 7-10 / Slm 111 (112), 4-5.6-7. 8a.9 / 1 Cor 2, 1-5 / Mt 5, 13-16




