Renovar a esperança

Não podemos deixar esquecer o que se passou em França com a visita do Papa Leão. Urge renovar a esperança. Urge escutar os seus apelos, dar-se conta da sua santa ousadia, perceber o porquê de tantos milhares de pessoas, nas manifestações, dos recados que o Papa Leão nos deixou. Uma França renovada, por querer ir buscar e viver as suas raízes cristãs. E porque não viver a esperança e pensar, desejar, tudo fazer para que essa renovação, baseada na fé e numa vida cristã profunda e séria, possa alastrar-se a outros países da Europa? Foi, de facto, extraordinário o maravilhoso espetáculo, a imensa multidão que acompanhou o Papa e o ouviu em diversas circunstâncias, na cidade de Paris. Quantas lições e exortações!!!

Primeiro, o modo como o Papa falou do valor da vida humana, da dignidade da pessoa humana, desde a sua conceção até à morte natural, o que implica um não muito claro ao aborto, à eutanásia e a tantas outras indignas maneiras da pessoa humana ser tratada, como a falta de trabalho, de cuidados médicos, de liberdade de expressão, de acolhimento digno de refugiados, etc. «Homens, sede homens», como afirmou Paulo VI, na sua visita a Fátima. Depois, os apelos à paz, ao diálogo entre governantes, entre países, num desejo que este mundo, começando pela Europa, seja lugar de paz, de harmonia, defendendo a vida, a cultura, os valores éticos. O Papa não se poupou a exortar, com esperança de alcançar uma França e uma Europa renovadas.

Leão XIV lembrou também o grande acontecimento dos últimos anos, que se refere ao crescente número de batismos de adultos, nalgumas dioceses, às vezes muitas centenas, e à necessária formação permanente, verdadeiramente eclesial, com base nos documentos e orientações do Concilio Vaticano II, de tantos novos cristãos em toda a França, donde podem surgir famílias cristãs, vivendo os parâmetros do Evangelho, podem surgir mais vocações de serviço à Igreja e na Igreja. Semente de renovação, de prática religiosa, de cidadãos que têm uma vida de fé, que podem influenciar a sociedade, as estruturas políticas e sociais. Verdadeira semente de renovação, de grande esperança.

Os muitos milhares ou milhões que ouviram o Papa, que o acolheram com entusiasmo, que escutaram os seus apelos, que escutaram os seus convites, que rezaram com ele e por ele, a sua ousadia em propor uma eficaz renovação, fazem-nos acreditar que algo muito sério se passou em muitíssimos corações onde a graça tocou e fez acender uma fé mais viva, mais adulta, mais comprometida.

A semente da renovação foi lançada e França, com audácia, com empenho, pode construir uma sociedade com mais valores cristãos. E mesmo os não cristãos, não puderam, sem dúvida, deixar de ficar tocados pelo que viram e ouviram.

França foi terra de muitas centenas de santos, de muitas centenas de fundadores de Ordens e Congregações religiosas, e muitos Movimentos eclesiais. Desde Santo Ireneu, primeiro bispo de Lyon, doutor da Igreja, até São Luís, rei de França, desde São Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade, até Santa Bernardette, a quem Nossa Senhora apareceu em Lourdes, como sendo a Imaculada Conceição, a tantos outros, todos são semente de vida cristã, caminho de santidade, fonte contínua de renovação.

Dário Pedroso, sj

@ Jana Doro (Unsplash.com)

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