Papa Leão apela a uma “compaixão concreta” pelos mais frágeis
Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente, que se celebra a 11 de fevereiro, o Papa Leão XIV convida a Igreja a redescobrir a parábola do Bom Samaritano como modelo de cuidado e proximidade para com os doentes. O Santo Padre sublinha que a compaixão cristã não pode ser apenas um sentimento individual, mas deve traduzir-se num compromisso comunitário e social.
Sob o tema ‘A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro’, o Santo Padre sublinha que a compaixão cristã não pode limitar-se a um sentimento ou gesto ocasional, mas deve traduzir-se numa proximidade concreta, pessoal e comunitária, capaz de transformar a vida dos doentes, das suas famílias e de quem cuida deles.
Inspirando-se na parábola do Evangelho de São Lucas (cf. Lc 10, 25-37) e na encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, Leão XIV recorda que Jesus não responde apenas à pergunta “quem é o meu próximo?”, mas ensina sobretudo como nos tornarmos próximos.
Parar, aproximar-se, cuidar
Num mundo marcado pela pressa, pela indiferença e pela cultura do descarte, o Papa alerta para o risco de “passar ao largo” diante do sofrimento. Pelo contrário, o Bom Samaritano ensina a parar, olhar com atenção, tocar as feridas e dedicar tempo.
“O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro”, escreve o Papa, lembrando que cuidar implica dar-se a si mesmo, e não apenas prestar ajuda à distância.
Para Leão XIV, cada gesto de proximidade torna presente o próprio Cristo, o “Samaritano divino”, que se inclinou sobre a humanidade ferida.
Uma missão que é de todos
A Mensagem destaca também que o cuidado dos doentes não é tarefa individual, mas uma responsabilidade partilhada por toda a comunidade. Tal como o samaritano contou com o estalajadeiro para continuar o tratamento, também hoje familiares, profissionais de saúde, voluntários e agentes pastorais são chamados a trabalhar em conjunto.
O Papa recorda a sua própria experiência missionária e episcopal no Peru, onde testemunhou redes de solidariedade feitas de pequenos gestos diários, capazes de dar à compaixão uma verdadeira dimensão social.
Neste sentido, afirma que o cuidado dos doentes não é apenas uma atividade assistencial, mas uma autêntica ação eclesial, que revela a saúde espiritual da própria sociedade.
Amar a Deus no cuidado do próximo
Na parte final da Mensagem, Leão XIV estabelece uma ligação entre o serviço aos doentes e o mandamento maior do amor a Deus e ao próximo. Amar verdadeiramente a Deus, explica, manifesta-se em gestos concretos de cuidado pelos mais frágeis: doentes, idosos, sós e aflitos.
O verdadeiro remédio para as feridas da humanidade é um estilo de vida baseado no amor fraterno”, escreve.
O Santo Padre confia todos os que sofrem à intercessão de Maria, Saúde dos Enfermos, e concede a sua bênção apostólica aos doentes, às suas famílias, aos profissionais de saúde e a todos os que participam neste Dia Mundial do Doente.
Mais do que uma data comemorativa, o Papa convida assim a viver este dia como um apelo permanente a fazer-se próximo, recordando que, no coração do Evangelho, cuidar do outro é a forma mais concreta de amar.





