No ritmo da Ave-Maria, o coração encontra paz

Quando rezo o terço, no ondular da repetição da Ave-Maria, intercalado com o Pai-Nosso, sinto um embalo que me permite levar a razão ao coração. Num tempo em que sinto a saturação de informação, no estar sempre contactável, levando a um crescendo de ansiedade, o embalo da repetição da oração falada diante de Maria e do seu Filho convida à paragem centrada do amor. Faço os possíveis para articular bem as palavras, mastigando o seu significado. Mesmo que venha a tentação de, desculpem a expressão, papaguear as orações, respiro fundo e regresso à palavra densa de sentido. O Verbo faz-se carne. Então, estas palavras em oração ganham corpo em Deus. Naturalmente, tal pede paragem, sentido de presença, num estado de profundo respeito, com tempo distendido. O coração apazigua-se.

A oração de repetição tem esse condão de levar a que a velocidade de pensamentos possa acalmar-se. Repetir as Ave-Maria e os Pai-Nosso é dar corpo à presença, sem mais, diante de Deus. Nessa pacificação de coração, rezo pelas intenções que me habitam o ser. Numa das dezenas, tenho presente o que o Papa Leão nos convida a rezar, ligando-me à Igreja. Nas outras, rezo pelas intenções, ora pessoais, ora pedidas. As orações, como rosas entregues a Maria, perfumam a existência e ligam-nos uns aos outros, à comunidade, à Igreja, em especial a quem mais sofre.

Neste dia da Senhora do Rosário, podemo-nos juntar ao milhão de crianças que vai rezar pela paz. Que a oração do terço nos ajude a que o nosso coração se aproxime do Coração de Jesus, abrindo espaço à compaixão, à misericórdia, ao sentido do outro.

Paulo Duarte, sj

© Alfonso Scarpa (Unsplash.com)

Meditação Diária

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